2ª Conferência do Ciclo Manifestações das Sexualidades nas Artes

2ª Conferência do Ciclo Manifestações das Sexualidades nas Artes

MANIFESTAÇÕES DA SEXUALIDADE NAS ARTES efeitos e consequências de ordem estética, ética e política 2º Ciclo de Conferências – 2021/2022 integrado na investigação de pós-doutoramento de Bruno Schiappa

1 – As relações da psicanálise com a arte estão presentes desde o seu nascimento, pese embora nem sempre tenha sido uma relação pacífica ou entendível, com áreas afins que se dedicaram a pensar a arte. Nos encontros das quartas-feiras, na casa de Freud, estas relações começaram a ser construídas e também aí não estiveram isentas de controvérsia. Controvérsia era afinal o escândalo que a psicanálise trazia ao colocar o inconsciente no centro da vida mental humana e ao redefinir o papel da sexualidade no nosso mundo interno. Afinal o que é que a psicanálise tem a dizer sobre a arte?

2 – A partir da obra da psicanalista neozelandesa-francesa Joyce McDougall (1920-2011), far-se-á uma abordagem na qual se exploram as relações do mundo interno, das forças inconscientes, nas relações das representações internas e do próprio desenvolvimento humano e o confronto com o fenómeno teatral. Duas obras de McDougall serão invocadas: Theatre of the Mind: Illusion and Truth On the Psychoanalytical Stage (1982), Theatre of the Body: A Psychoanalytic Approach to Psychosomatic Illness (1989). Que relações podemos estabelecer entre uma compreensão do psiquismo como um palco, como o descreve McDougall, e o palco teatral propriamente dito? Encontraremos as mesmas instâncias, as mesmas forças eróticas ou tanáticas? Haverá obediência à mesma lei do desejo?

3 – Regressaremos a Freud para encontrar na construção de momentos fundamentais da psicanálise elementos ligados à teatralidade, o complexo de Édipo ou a noção de conflito interno. Conceptualizações ligadas à construção do desejo e do patológico. Em Aristóteles, pathos e logos seriam elementos teatrais sempre presentes na construção da tragédia. Em que medida o patológico emerge também na relação com a arte e em particular com o teatro.

Nota biográfica: Rui Cintra é natural de Almada, fez o curso de dramaturgia no IFICT e teve aulas de teatro com Rogério de Carvalho. Formou-se em Filosofia na FCSH, tendo sido jornalista e crítico de teatro no jornal O Independente. Com o virar do milénio, formou-se em Psicologia no ISPA, onde também fez mestrado, e é pós-graduado em Psicossomática e em Psiquiatria e Saúde Mental pela UCP. Atualmente é Psicólogo Clínico com prática clínica em Lisboa, tendo-se especializado como psicoterapeuta psicanalítico de casal e família formado pela Poiesis (onde é formador) e como psicoterapeuta psicanalítico relacional pela PsiRelacional. Tem escrito sobre arte e psicanálise e tem sido conferencista sobre técnica psicanalítica aplicada a casais e famílias em vários congressos e colóquios.

Data: 15 de dezembro | Hora: 15h00/17h00
Local: Teatro da Trindade/Inatel Curadoria e moderação: Bruno Schiappa (CET – Ulisboa; CREPAL – Sorbonne Nouvelle)
Orador: Rui Cintra
Supervisão: Fernando Guerreiro e Maria João Brilhante