O Salão Coreolinguístico 2025 faz parte de uma série de encontros destinados a ensaiar práticas de fabulação coletiva. Dedica-se à reflexão historiográfica experimental e a reimaginações da liberdade e do falhanço, em termos que recusam a colonialidade do humanismo ocidental. Enquanto espaço de estudo informal situado, estimula a escuta multissensorial dos termos em que se estuda, lê, escreve, conta, traduz, move, negocia, (des)associa, rememora. Neste contexto, os “termos” referem-se tanto a matérias de palavração – dispositivos discursivos como gramáticas, vocabulários, etimologias, poéticas e todos os tipos de figuras de linguagem – como às próprias infraestruturas em causa: as condições de vida-trabalho que permitem. Abordando os terrenos da leitura, da escrita, do arquivo e da narração de histórias como um campo coreográfico alargado, o Salão acolhe formas de treinar a frequentação de terrenos complexos de contacto e conversação, bem como práticas citacionais peculiares e modos de dizer, soar e ressoar entre corpos próximos e distantes, numa tentativa de encontrar linguagem(ns) e conhecimento(s) de outras formas; ensaiar outros ritmos de reconhecimento, de (des)conhecer e (des)apropriar. Uma tentativa de esboçar contra epistemologias e modos de movimentação a várias mãos, reimaginar espécies políticas para além da extração de valor.
Em 2025 o Salão Coreolinguístico convida Olivier Marboeuf e Shivangi Mariam Raj, que propõem dois workshops:
Mapping negotiated spaces for communities to come - Olivier Marboeuf [Mapear espaços a negociar para comunidades por vir]
Neste workshop, os participantes serão convidades a reunir as condições mínimas de um lugar para as suas vidas e as suas práticas artísticas e de investigação, em forma de mapas mentais desenhados no chão. Em seguida aprenderão a negociar o espaço e as relações entre os diferentes mundos que desenharam, desenvolvendo zonas de contacto e de relação, de negociação e de circulação no espaço, envolvendo narrativas históricas, poéticas ou pessoais, movimentos coreográficos e fantasmas, canções e sons, imagens mentais, textos e suas traduções; todos eles constituindo formas de adensar o espaço por meio de arquivos do corpo e de enfrentar as dificuldades de o fazer existir em conversação. O objetivo deste workshop é explorar e ensaiar os diferentes estratos de tempo numa política da presença, os diferentes estratos de imaginação, medo e desejo por vezes ocultos ou reprimidos, que perturbam secretamente as condições materiais de um lugar partilhado e afetam a construção de uma comunidade por vir.
Assembling Poetry as Nonwitness - Shivangi Mariam Raj [Ensamblar Poesia como Não-testemunha]
A linguagem é sempre uma performance de manutenção de limiares, mas o que acontece nesta catástrofe infinita, quando todos os limiares se rompem? Múltiplos graus de violência genocida são ensaiados na linguagem e é simultaneamente na linguagem que são ofuscados. Tal como nas nossas casas e terras natais, o presente do colonialismo de povoamento cercou os nossos vocabulários — as nossas gargantas estão ressequidas, a nossa voz rouca, o nosso discurso estilhaçado. Este workshop conduz-nos ao lugar do negativo que a poesia gera, tendo o eclipse como metodologia e estratégia para resgatar a nossa fragilidade. Pensando com o recurso literário da sinédoque e instalando quebras de linha como ferramenta, desenvolveremos um texto cumulativo com uma linguagem que se debate com o seu próprio fracasso, uma linguagem obscura para os perpetradores, uma linguagem que dispensa a necessidade de insistir na evidência e, em vez disso, trabalha para restaurar a ligação entre o significado e o luto, entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Inspirar-nos-emos na ética da escuridão em direção à qual a poesia se move, e construiremos densidades contra-arquivísticas para honrar a ausência e praticar a recusa. Queremos desenvolver o nosso próprio léxico subterrâneo secreto para resgatar a nossa fala dos escombros deste momento. Cada workshop tem a duração de dois dias. Um dia da semana será dedicado à discussão e reflexão coletivas, a partir do diálogo entre os dois workshops.
No dia 13 de Setembro, às 18h, Olivier Marboeuf fará uma apresentação pública no Espaço Parasita, como parte da sessão de abertura da CICATRIZ — ESCOLA TERRA BATIDA, em coprodução com o Salão Coreolinguístico.
No dia 19 de Setembro, às 18h, Shivangi Mariam Raj fará uma apresentação pública na Casa do Comum, como parte da sessão de fecho do Salão Coreolinguístico.
Data: 13 a 19 de Setembro de 2025
Local: A Comuna — Teatro de Pesquisa / Espaço Parasita / Casa do Comum
Organizadores: Paula Caspão e Carlos Oliveira
A inscrição nos workshops encontra-se aberta até 6 de Julho.
A língua usada é o inglês.



