O seminário propõe-se nesta segunda edição explorar as múltiplas configurações da performatividade no teatro contemporâneo. Podemos observar hoje de forma mais nítida que a nomeação de um teatro pós-dramático por H.T. Lehmann assinalava uma deslocação de um paradigma da representação para um paradigma da presença e da contingência ampliada. Neste sentido, a sua gestão conceptual destas mudanças revela-se já de modo premonitório como uma espécie de exumação. Recordemos a frase: “Pode-se descrever o teatro pós-dramático assim: os membros ou ramos do organismo dramático, se bem que se trate de material em extinção, continuam presentes e formam o espaço de uma lembrança ‘que irrompe’ ” (2027:31). As poéticas da performatividade que pretendemos interrogar ocorrem aquém e além desta colocação, porque entre os anos de 70-90 e as duas décadas do terceiro milénio, emergem equações conceptuais, disciplinares, materiais e mesmo novas institucionalidades e novas ontologias que atravessam as práticas performativas de modo crescente, colocando a performance e o corpo sob novas perspetivas. Se a valorização da performatividade se acomoda nas posições críticas de Erika Fischer-Lichte ou de Josette Féral, este seminário pretende rastrear e pensar os diversos regimes de presença que confluem numa corporeidade duplamente marcada pelo ímpeto dos atuais regimes de produção (B. Kunst), como pelas redes mais vastas que co-determinam a própria agência do corpo humano (K. Barad; R. Braidotti). O estudo das ‘poéticas’ da performatividade sugere finalmente, desde o seu enunciado plural, uma auscultação atenta às dimensões do fazer-artístico, atenta portanto às artes que historicamente se cruzam com o organismo dramático, ainda quando esta “lembrança que irrompe” se manifesta em revisitações performativas dos seus modos de fazer e de produzir sentido.
Data: 22 a 23 de Maio de 2026
Local: Campus da Universidade de Coimbra na Figueira da Foz
Organizadores: Alexandra Moreira da Silva, Fernando Matos Oliveira, Gustavo Vicente, Jorge Louraço Figueira.



